Sobre Rimar para Orixá:  O projeto sergipano “Cordel Xirê”

 Sobre Rimar para Orixá:  O projeto sergipano “Cordel Xirê”

Por Yérsia Assis

 

Em 21 de Março é promovido o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, a data que funciona como um lembrete importante sobre a necessidade de combater e criar mecanismos para que se garanta uma sociedade que consiga abolir as desigualdades estruturadas pelo recorte racial.

Diante de uma data tão significativa, chega até nós do Literatura Comunica! a feliz notícia de uma iniciativa que une Literatura, Combate à discriminação religiosa e a promoção das culturas religiosas afro-brasileiras, logo, religiosidades negras. Funcionando assim, como mais um recurso que ajuda a consolidar esse movimento que busca eliminar os mecanismos da discriminação racial.

Essa iniciativa que se chama ‘Cordel Xirê’ resulta dos esforços da Ong Casa de Mar (@acasadmar) juntamente com o cordelista Eduardo Teles (@vemdasnuvenseditora) e os desenhos do artista plático Allan d’Xangô (@afoxedipretooficial). O Cordel Xirê é uma proposta de colocar na linguagem e no formato de Cordel versos que contem e rimem as histórias dos Orixás.

O primeiro Cordel desta série – que vai contar as histórias de diversos Orixás do Panteão Afro-Brasileiro – faz uma homenagem ao Orixá Oxalá (o folheto que foi intitulado de “A viagem de Oxalá) e conta uma história (ou Ìtan, na linguagem Yorubá, própria dos povos que professam a liturgia do Candomblé Ketu) desta Deidade muito importante na cosmologia religiosa afro-brasileira.

O lançamento deste projeto e do Cordel para Oxalá aconteceu em janeiro, mês importante para as religiosidades afro-brasileiras, pois é um mês consagrado a este Orixá, e nada mais especial que um lançamento como esse. Além disso, o mês de janeiro tem também em seu calendário datas alusivas ao combate a intolerância religiosa.

O Cordel Xirê é um projeto que visa oferecer mais elementos para que a sociedade comece a dissipar seus preconceitos e discriminações associadas ao religiosidades afro-brasileiras. E é sempre interessante lembrar, essas ações discriminatórias são pautadas em sua maioria nos racismos que operam nas interações sociais da sociedade brasileira. O Cordel Xirê se torna assim, mais um dispositivo literário que auxilia na educação antirracista e em favor da promoção da diversidade. Convidamos todes a acessar a página da Casa de Mar (@acasadmar) e lá descobrir mais informações sobre essa iniciativa e projeto que une uma linguagem literária específica, o Cordel, em prol do combate aos preconceitos e discriminações.

 

Yérsia Assis – Preta Nagô do Samba de Aboio/Festa de Santa Barbara. Ekedji no Ilê Axé Omin Mafé. Doutora em Antropologia Social pela UFS. Realiza Pós Doutorado no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. @yersiaassis

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